Alto Hama

Orlando Castro jornalista CP 480
Como se diz corrupção nas línguas angolanas?

Chegado a uma escola numa recôndita aldeia do Huambo, Luvemba (é claro!), o general João Lourenço explicou o que é a corrupção, enfatizando que essa é uma doença que, infelizmente, foi trazida para o nosso país pelos portugueses.

Em abono da sua tese, o presidente do MPLA pediu que levantassem a mão todos os meninos que soubessem como se diz corrupção em qualquer uma das línguas ou dialectos do nosso país.

Todos os alunos ficaram imóveis e com a mão pousada na carteira. Não sabiam como dizer corrupção nas línguas nacionais.

Todos não. Um deles, que estava sentado no fundo da sala, levantou a mão.

O general João Lourenço, intrigado, perguntou:

– Por que levantaste a mão?

– Por que sei como se diz corrupção em todas as línguas nacionais, respondeu o puto.

O general perguntou de novo:

– Se todos nós não sabemos como se diz, se eu próprio que sou o Presidente do MPLA não sei, como é que tu sabes?

– Porque sei, respondeu com orgulho o puto.

O Presidente do MPLA não podia dar crédito a algo assim e exclamou:

– Diz-me então como é que se diz corrupção em ucôkwe, kikongo, kimbundu, umbundu, nganguela e ukwanyama?

Sorridente, o puto orgulhoso dos seus conhecimentos, explicou que, por sinal, nessas línguas como noutras de Angola, corrupção diz-se sempre da mesma maneira.

Já agastado com a petulância do miúdo, João Lourenço levantou-se e vociferou:

– De uma vez por todas, diz lá.

– É simples, respondeu o puto. Corrupção em qualquer das línguas de Angola diz-se: MPLA. 

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