A memória de uns e a vaga ideia dos outros
Em Setembro de 2021, a UNITA limitou-se, no seu portal, a reproduzir a notícia da morte de Rui Oliveira. Andasse por cá Jonas Savimbi e a história seria outra. É pena. Não que isso preocupe o Rui. Aliás, se calhar há actuais dirigentes da UNITA, caso certamente do deputado e putativo ministro da UNITA, Nuno Álvaro Dala, que perguntam: “Quem é esse Rui Oliveira?”
Pouco antes de ter morrido, perguntei-lhe:
— Recordas-te, meu velho, dos tempos em que vinhas de Lisboa e nos encontrávamos no Hotel Tuela, no Porto, para conversar sobre a nossa terra, umas vezes a sós, outras com o Alcides, com o Jeremias ou com o Tony?
— Recordas-te, meu velho, dos tempos em que éramos dos primeiros a saber quando algum de nós vinha da banda para nos contar como iam, ou não iam, as coisas?
— Recordas-te, meu velho, dos tempos em que de vez em quando vocês mandavam de Lisboa alguma ajuda para pôr na linha os camaradas que nos queriam encostar à parede?
— Recordas-te, meu velho, dos tempos em que te deslocaste propositadamente cá acima para me dar um abraço de solidariedade quando soubeste que eu recusara uma enormíssima promoção que tinha como contrapartida abdicar das nossas ideias e ideais?
— Recordas-te, meu velho, dos tempos em que jantámos aqui no Porto com o nosso mais Velho e ele também me disse que valia a pena recusar promoções quando elas implicam a perda da consciência?
— Recordas-te, meu velho, dos tempos, estes mais recentes, quando o Alcides e o Paulo tinham regressado há pouco tempo da mata e no átrio do Porto Palácio Hotel me deram um forte, demorado e comovido abraço?
Ele recordava-se disto e de muito mais. E nem sequer algumas “violentas” discussões entre nós afectaram a memória de ambos, nem a transformaram em vagas ideias selectivas.
Legenda: Nuno Álvaro Dala (à esquerda),Rui Oliveira com Jonas Savimbi, na Jamba (à direita)








