Alto Hama

Orlando Castro jornalista CP 480
Pai e filhos, os três da vida airada

“Este é o tempo, creio eu, de o doutor Luís Montenegro se concentrar no exercício dessas funções e dessas responsabilidades”, insistiu hoje Passos Coelho à entrada para a Cimeira da Associação de Estudantes da Faculdade de Economia da Universidade do Porto.

Do rol de atributos do messiânico ex-líder do PSD (Pedro Passos Coelho) constam, entre outras, as seguintes afirmações feitas entre Março de 2010 e Junho de 2011:

«Estas medidas põem o país a pão e água. Não se põe um país a pão e água por precaução».

«Estamos disponíveis para soluções positivas, não para penhorar futuro tapando com impostos o que não se corta na despesa».

«Aceitarei reduções nas deduções no dia em que o Governo anunciar que vai reduzir a carga fiscal às famílias».

«Sabemos hoje que o Governo fez de conta. Disse que ia cortar e não cortou».

«Nas despesas correntes do Estado, há 10% a 15% de despesas que podem ser reduzidas».

«O pior que pode acontecer a Portugal neste momento é que todas as situações financeiras não venham para cima da mesa».

«Aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus actos».

«Vamos ter de cortar em gorduras e de poupar. O Estado vai ter de fazer austeridade, basta de aplicá-la só aos cidadãos».

«Ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam. Os que têm mais terão que ajudar os que têm menos».

«Queremos transferir parte dos sacrifícios que se exigem às famílias e às empresas para o Estado».

«Já estamos fartos de um Governo que nunca sabe o que diz e nunca sabe o que assina em nome de Portugal».

«O Governo está-se a refugiar em desculpas para não dizer como é que tenciona concretizar a baixa da TSU com que se comprometeu no memorando».

«Para salvaguardar a coesão social prefiro onerar escalões mais elevados de IRS de modo a desonerar a classe média e baixa».

«Se vier a ser necessário algum ajustamento fiscal, será canalizado para o consumo e não para o rendimento das pessoas».

«Se formos Governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas nem cortar mais salários para sanear o sistema português».

«A ideia que se foi gerando de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento».

«A pior coisa é ter um Governo fraco. Um Governo mais forte imporá menos sacrifícios aos contribuintes e aos cidadãos».

«Não aceitaremos chantagens de estabilidade, não aceitamos o clima emocional de que quem não está caladinho não é patriota».

«O PSD chumbou o PEC 4 porque tem de se dizer basta: a austeridade não pode incidir sempre no aumento de impostos e no corte de rendimento».

«Já ouvi o primeiro-ministro dizer que o PSD quer acabar com o 13.º mês, mas nós nunca falámos disso e é um disparate».

«Como é possível manter um governo em que um primeiro-ministro mente?»

Apesar de já ser detentor do título de “primeiro-ministro que mais mentiu durante a campanha eleitoral”, Passos Coelho continua – através dos seus actuais sipaios – a sua gloriosa luta para ficar na história. E tem tido sucesso, reconheço.

Nunca ninguém, nem mesmo António de Oliveira Salazar, conseguiu reinstalar com tanta rapidez e eficiência como Passos Coelho um regime esclavagista em Portugal. A maior ameaça a esse título é hoje protagonizada por Luís Montenegro e André Ventura.

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