Lembram-se dos limpa-neves comprados pelo MPLA?
Em quatro anos, Ricardo Leitão Machado (cunhado do ministro da Presidência de Portugal, António Leitão Amaro) «amealhou 450 milhões em Angola. A procuradoria deste país pretende que o empresário seja constituído arguido por burla qualificada devido aos negócios que realizou».
Angola (MPLA) contratou a empresa de Ricardo Leitão Machado a Aenergy, para o fornecimento e operação de 13 centrais eléctricas, com o financiamento da GE Capital, o braço financeiro da General Electric, no valor de 940 milhões de euros. Quando José Eduardo dos Santos abandonou o poder e foi substituído por João Lourenço, o Governo angolano acusou a Aenergy de irregularidades na gestão do contrato e, em particular, de tentar vender em duplicado quatro turbinas adicionais sem autorização válida.
«Um tribunal americano deu como provado o seu envolvimento em corrupção de dois quadros da gigante General Electric. O Millenium BCP deixou-lhe fugir 5 milhões de euros. Documentos a que a SÁBADO teve acesso revelam os contornos dos negócios, as suspeitas de falsificação no Photoshop e a mão invisível da família Dos Santos», escreve a revista portuguesa.
Afinal também cai neve em Luanda…
No dia 2 de Junho de 2011, escrevi o texto que se segue:
«O Ministério Público português está a investigar uma alegada burla gigantesca ao Estado angolano, supostamente cometida por empresários portugueses com ligações a elementos angolanos do Banco Nacional de Angola.
Segundo o DN, em causa estarão mais de 300 milhões de euros em pagamentos do BNA para produtos que nunca chegaram a Angola, alguns completamente fictícios, como limpa-neves.
A maioria dos pagamentos saiu de uma conta do Estado angolano no Banco Espírito Santo de Londres. O alarme soou quando o banco comunicou que a conta estava quase a zero.
Dizer que o regime angolano, liderado, recorde-se, por um presidente que está no poder há 32 anos sem nunca ter sido eleito, é contra todas as formas de luta que ponham em causa o seu reinado, é chover no molhado. Ninguém se preocupa com isso.
Afirmar que os níveis de corrupção existentes em Angola superam tudo o que se passa em África, conforme relatórios de organizações internacionais e nacionais credíveis, é uma verdade que a comunidade internacional reconhece mas sem a qual não sabe viver.
Aliás, basta ver como as grandes empresas, portuguesas e muitas outras, investem forte no clã Eduardo dos Santos como forma de fazerem chorudos negócios… até com limpa-neves.
Com este cenário, alguém se atreverá a dizer ao dono do poder angolano, José Eduardo dos Santos, que é preciso acabar com a corrupção?
Aliás, como demonstraram os empresários portugueses e angolanos, é muito mais fácil negociar com regimes corruptos de países ricos do que com regimes democráticos e sérios.
Sendo Angola o sexto maior fornecedor petrolífero dos Estados Unidos da América, alguém está a ver Hillary Clinton olhar para os caixotes do lixo de Luanda dos quais se alimentam muitos e muitos angolanos? Não.
EUA e China recebem actualmente 90 por cento das exportações petrolíferas angolanas, que por sua vez contribuem com mais de 80 por cento do PIB e 83 por cento das receitas do Estado (2008).
Por estas e por outras é que Hillary Clinton elogia os progressos feitos pelo regime angolano, assina mais uns acordos, garante mais alguns negócios (muitos dos quais não serão divulgados) e dá público conhecimento de que Angola está no caminho certo.
Sendo que o caminho certo se define não em função da corrupção e da violação dos direitos humanos mas, é claro, dos interesses económicos. Hillary Clinton está muito mais preocupada com o petróleo de Angola do que os angolanos.
E isso é crime? Não. Não é. Aliás, se até o próprio presidente Eduardo dos Santos está mais preocupado com o petróleo do que com os angolanos…
Com ou sem limpa-neves, Angola e a sua opaca companhia petrolífera é exemplo chave de receitas petrolíferas desbaratadas e postas ao serviço de um Estado-sombra onde o único resultado real para a maioria da população é a pobreza, sendo os bancos cúmplices no esquema, parte da estrutura que permite que isso aconteça.»








