Alto Hama

Orlando Castro jornalista CP 480
Papa Leão XIV visita reino do MPLA

O núncio apostólico em Angola anunciou uma visita do Papa Leão XIV ao reino do MPLA, estando o programa e a data ainda a ser acertados com as autoridades angolanas. O anúncio foi feito, em Luanda, por Kryspin Dubiel, que adiantou que o Papa tem intenção de visitar o continente africano numa deslocação que inclui Angola, tendo aceitado o convite do episcopado angolano e do Presidente do MPLA que, por inerência, é também Presidente da República, general João Lourenço.

Recorde-se que o Papa Bento XVI convidou, estávamos em Novembro de 2011, os africanos a não idolatrar o poder do dinheiro e a tomar conta “daqueles que são postos de lado”. José Eduardo dos Santos não ouviu e detestava quem tenha ouvido. E, é claro, João Lourenço já na altura sofria de surdez aguda, enfermidade que se tem agravado.

Bento XVI, que falava durante a celebração da missa “O estado da amizade” em Cotonu, no último dia de sua visita ao Benin, disse, perante 30 mil fiéis e 200 bispos do continente africano, que a “realeza” de Jesus é diferente.

“Sem dúvida, pode parecer desconcertante para nós, mas hoje, como há dois mil anos, estamos acostumados a ver sinais de “realeza” em sucesso, poder e dinheiro e temos dificuldade em aceitar um rei que é o servo dos humildes”, disse.

O Papa aproveitou para pedir aos africanos para ajudar todos “aqueles que são postos de lado”, principalmente “todos aqueles que sofrem, os doentes, as pessoas afectadas pela Sida e outras doenças e todos aqueles que são esquecidos pela sociedade”.

“Mantenham a coragem”, disse o Papa, acrescentando que muitos em África “cuja fé é fraca têm uma mentalidade e o hábito de ignorar a realidade do Evangelho, acreditando que a busca da felicidade egoísta, fácil de ganhar, é o objectivo final da vida”.

E por falar em Igreja, em Angola a administração da justiça é muito lenta e os mais pobres continuam a ser os que menos acesso têm aos tribunais. Não, ao contrário do que dizem os arautos do regime.

Quem o disse em 2009 (nada de substancial mudou até agora), no mais elementar cumprimento do seu dever, foi o arcebispo da cidade do Huambo, D. José de Queirós Alves, em conversa com o então Procurador-Geral da República do regime, João Maria Moreira de Sousa.

José de Queirós Alves admitia também que ainda subsistia no país uma mentalidade em que o poder económico se sobrepõe à justiça.

O arcebispo pediu maior esforço dos órgãos de justiça no sentido das pessoas se sentirem cada vez mais defendidas e seguras.

“O vosso trabalho é difícil, precisam ter atenção muito grande na solução dos vários problemas de pessoas sem força, mas com razão”, disse D. José de Queirós Alves.

Importa ainda recordar, a bem dos que não têm força mas têm razão, que numa entrevista ao jornal português “O Diabo”, em 21 de Março de 2006, D. José de Queirós Alves já dizia (e assim continua) que “o povo vive miseravelmente enquanto o grupo ligado ao poder vive muito, muito bem”.

Nessa mesma entrevista ao Jornalista João Naia, o arcebispo do Huambo considerava a má distribuição das receitas públicas como uma das causas da “situação social muito vulnerável” que se vive Angola.

Queirós Alves disse então que, “falta transparência aos políticos na gestão dos fundos” e denunciou que “os que têm contacto com o poder e com os grandes negócios vivem bem”, enquanto a grande massa populacional faz parte da “classe dos miseráveis”.

E, já agora, citemos Frei João Domingos que afirmou que em Angola “muitos governantes têm grandes carros, numerosas amantes, muita riqueza roubada ao povo, são aparentemente reluzentes mas estão podres por dentro”.

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