Memórias de Orlando Castro
Jornalista, escritor, poeta, Orlando Castro deve ser, também, um tipo teimoso. Teimoso nas convicções que adquiriu e que não larga. Contra tudo e contra todos.
“Ao longo dos anos defendo aquilo que considero o mais correto para a minha terra, Angola. Consigo não agradar nem a gregos (MPLA) nem a troianos (UNITA)”, cita William Tonet no prefácio do livro “Eu e a UNITA” de Orlando Castro.
William Tonet, outro jornalista angolano da velha guarda que se transformou numa referência da irreverência. Outro teimoso.
Sobre Orlando, diz o próprio: “Sou angolano, nasci em Angola, lá estudei, brinquei, cresci e me fiz homem. Mesmo que tenha sido obrigado pelos acontecimentos históricos a abandonar o país onde nasci, e a utilizar a nacionalidade portuguesa dos meus pais, o meu coração esteve lá, está lá e estará sempre lá”.
Uma declaração que fará muitos “portugueses de segunda” quererem ler esta espécie de autobiografia de um ‘retornado’, embora não seja esse o foco da escrita. Será mais um livro de memórias.
“São vivências pessoais com a UNITA, desde 1974, incluindo Savimbi, em Angola, e depois em Portugal com os representates da UNITA”, explica o autor, referindo-se certamente à atividade de jornalista que exerceu durante décadas.
De “português de segunda” para “angolano de segunda”, parece ser a sina de Orlando. “Não se sabe, embora eles saibam, onde é que o regime do MPLA (por sinal no poder desde 1975) quis e quer chegar ao construir monumentos que enaltecem os contributos dos angolanos que consideram de primeira (todos os que são do MPLA) e, é claro, amesquinham todos os outros.”
“Eu e a UNITA” será parte da história de um homem e da terra onde nasceu. Adivinhamos algum desencanto e bastante irreverência.
Nota. Texto de Carlos Narciso, publicado em 21 de Outubro de 2023, em duaslinhas.pt








